Episode 4
Teseu, Mandelbrot, Cantor, Matos e Escher
Se, ao longo do tempo, substituirmos as partes de um todo, uma a uma, ao final do processo ainda teremos a essência que garante a identidade do original? Ou, em algum momento, deixaremos de ter o original para passarmos a ter algo diferente?
Estima-se que, ao longo de nossas vidas, teremos entre 95% e 99% de todas as nossas células renovadas ao menos uma vez. Será que a pequena minoria que não se renova — o que inclui a maioria dos neurônios do córtex cerebral, as células do cristalino dos olhos e os cardiomiócitos (células do músculo cardíaco) — seria a responsável pela identidade do que somos? Ou perdemos continuamente a essência do que éramos originalmente ao longo da vida? Afinal, estamos em constante transformação. Eu não serei o mesmo amanhã; serei eu e minhas novas circunstâncias, ou minhas novas células.
Esse é o Paradoxo do Navio de Teseu aplicado à vida.
